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AFOBADO
Néocles Costa Carvalho
Um belo domingo
de verão, com toda a alegria que o sol estimula, garotas bonitas
e senhoras elegantes, exibiam seu charme aos gatões, lobos e coroas
no "footing" praiano que carateriza a praia das Pitangueiras no
Guarujá, que lindo!
Com um grupo de amigos
saímos para nosso atraente passeio, quando vimos um grupo de pessoas
andando devagar, quase parando e olhando para o mar, logo todos ficam curiosos
e vão se perguntando, o que está acontecendo?
Diversas vezes fizemos isso de brincadeira só para estimular a curiosidade
das pessoas, mas desta vez era verdade, logo percebemos os guardas apitando,
eram dois rapazes tentando se salvar nadando contra a correnteza... se afogando.
É terrível a sensação de impotência diante desta circunstância.
O salva-vidas gritou
para eles que estavam exaustos, nadem para fora, deixem a correnteza levar
que nos tiramos vocês...
Um deles insistiu em chegar até a praia se esfalfando contra a correnteza,
acabou se afogando ante que pudessem retira-lo, não sobreviveu...
nadando contra a correnteza não dá, é difícil.
O outro seguiu o conselho e se deixou levar, sem esforço, boiou descansando,
de vez em quando algumas braçadas para o lado, seguiu e acabou se
salvando sozinho, saindo muito adiante na praia, foi uma euforia, que contrastou
com a tristeza de alguns momentos antes. Aquela cena, perturbou o meu fim
de semana.
Conversei com o salva
vidas sobre o que faleceu, ele foi taxativo:
nunca se desperdiça energia nadando contra a correnteza, sem
sair do lugar, as vezes não conseguimos chegar a tempo... o certo
é fazer como o outro, nadar um pouco para o lado até se livrar
da correnteza, temos que ver para onde a correnteza nos quer levar sem ficar
apavorado, a afobação é inútil, sem força
vira desespero e acaba se afogando.
Não é inteligente nadar contra a correnteza, sem lutar contra com calma acabará descobrindo o tal "caminho das pedras"